terça-feira, 25 de maio de 2010

pentecostes....

Com a festa de Pentecostes, dar-se o início da missão da igreja no mundo. É bonito percebermos que foi o próprio Jesus quem veio preparando essa manifestação da igreja, depois de ressuscitar, nas várias aparições que fez aos apóstolos, antes de sua acessão ao céu. O Mestre, agora ressuscitado, não deixa de instruir aos apóstolos, pois, após sua ascensão, deixará esse ministério ao próprio Espírito Santo (cf. Jo 14,26). São seus últimos ensinamentos antes de partir. Inclusive faz uma recomendação, que não se afastassem de Jerusalém enquanto não cumprisse a promessa do Pai.(cf. Atos 1, 4-5).
No início da primeira leitura, Lucas deixa bem claro que: “estavam todos reunidos no mesmo lugar” (2,1). Permanecer juntos foi uma condição exigida por Jesus para receberem o dom do Espírito Santo. Vemos o desejo de Jesus, de que a igreja nasça na unidade e fraternidade, visto que os apóstolos fazem uma experiência comunitária de oração e batismo. Devemos lembrar que a Virgem Mãe, está no meio deles unida aos mesmos na oração.
Os judeus também celebravam uma festa de Pentecostes cinqüenta dias depois da Páscoa. Era a festa da Aliança, a festa do Pacto, celebrado por Deus com seu povo no monte Sinai. Conforme o livro do Êxodo no capitulo 19, quando Deus se manifesta lê-se: “todo o monte fumegava , porque o Senhor havia descido sobre ele no meio de chamas. O fumo que se elevava era como o de um forno, e todo o monte estremecia violentamente" (19, 18).No Pentecostes do Novo Testamento, há também manifestações: “um barulho como se fosse uma forte ventania (...) apareceram línguas como de fogo que se repartiam e pousaram sobre cada um deles” (cf. At 2, 2-3). Com estes sinais uma Nova Aliança, um Novo Pacto é celebrado com os apóstolos. Com a igreja, que se inicia naquele Cenáculo. Esta Nova Aliança agora se estende a todos os povos, não há mais limites territoriais, de raça ou cultura. Todos podem ouvir os ensinamentos dos apóstolos em sua língua. O anuncio do evangelho, a salvação, deve chegar aos confins do universo. É o espírito missionário da igreja, que nasce com esse batismo de fogo anunciado por João (cf. Lc 3,16).
Porém, para manter esse espírito missionário é preciso abrir as portas (é este o convite do Vaticano II, foram justamente estas palavras de ordem dadas por João XXIII: “abramos as portas e janelas da igreja para que um novo ar possa entrar”). Os discípulos, conforme o evangelho, por medo dos judeus, estavam com as portas fechadas. Se pararmos para meditar um pouco sobre o que significa a porta, muito podemos aprender.
A porta sempre divide dois ambientes, ela é o modo como eles se comunicam. Por meio dela realizamos a passagem de um lugar para o outro. Por trás de uma porta sempre há uma surpresa algo a ser revelado, conhecido. Aberta, pode receber a comunicação do sopro do vento, possibilitando ao ambiente um arejamento
Com que espírito estavam os apóstolos naquela noite? Que ares eles respiravam tendo as portas trancadas? O medo os impossibilitava de serem renovados por este novo sopro, por este Ruah, já que as portas eram mantidas fechadas, e fazerem a experiência do Pentecostes. No entanto, Jesus é tão misericordioso que mesmo estando as portas fechadas ele entra e sopra sobre eles Espírito Santo.
Tendo em vista esse cenário, cabe-nos uma pergunta: “como estão as portas de nosso coração para receber esse vento, este sopro? E como estão as portas de nossas famílias, comunidades e paróquias ?
O evangelho não nos conta o que acontece após eles receberem o sopro de Jesus e nem é necessário, tendo em vista o que lemos nos Atos dos Apóstolos. Não só abrem as portas como perdem o medo e vão anunciar que Jesus ressuscitou. Somos batizados, recebemos o mesmo espírito que os Apóstolos, imitemo-los! Fora com os medos! Abramos as portas para irmos anunciar.
Vamos assumir nosso discipulado e missionaridade em meio a este mundo de caos, confusão e sofrimento que estamos experimentando. Atendamos aos apelos dos menos favorecidos, pois o Espírito é “Pai dos pobres” e “Consolo que acalma”. Como “Hospede da alma” deve nos inquietar, mediante a tantas injustiças, lançando-nos ao apostolado dos mais necessitados. Sem dúvida alguma, como nossas ações, podemos humanizar ou encarnar o que cantamos na sequência. Levando “Doce alívio” aos aflitos. “No labor descanso” há tantos trabalhadores que tem seus corações fatigados, e; não recebem o mínimo se quer, para o sustento de suas famílias.
A exemplo das primeiras comunidades cristã, unidos na fração do pão e unanimes na oração supliquemos que “Lave o que é sujo”, em nossos poderes públicos. “Enchei, luz bendita” nosso interior da sua presença, iluminando nossas mentes e clareando nossas decisões nas próximas eleições.
Por fim, “Dobra o que é duro”, principalmente os sentimentos inflexíveis que nos tornam frios e insensíveis aos apelos de libertação. “Daí à vossa Igreja que espera e deseja, vossos sete dons”, e assim possamos alcançar ainda nesta terra a “Alegria eterna. Amém.”

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Teresa Benedita da Cruz

Este é um poema da santa acima citada no título. Espero que ele seja fonte de inspiração a todos os que lerem. Vinde Espírito Santo....vinde!!!

Quem és tu, Luz que me inundas
E clareias o meu coração?
Tu me guias,
Qual mão carinhosa de mãe,
Se de Ti me desprendo,
Não saberia caminhar
Nem mais um passo.

Tu és o espaço,
Que cerca meu ser
E em si me acolhe.
Saindo de Ti,
Mergulho no abismo do nada,
De onde tu me tiraste.

Tu estás mais próximo a mim
Do que eu a mim mesmo,
E mais íntimo
Do que meu interior -
No entanto, continuas intocável
E incompreensível,
Arrebatando o que existe:
Santo Espírito – Eterno Amor.

Não és tu o maná,
Que passa do coração do Filho
Ao meu,
Comida dos anjos e dos santos?
Ele, que da morte
Para a vida se levantou,
Também a mim ressuscitou para a vida.

Arrancou-me do sono da morte,
E nova vida Ele me dá
De dia para dia.

Um dia sua plenitude
Inundar-me-á totalmente,
Vida de tua vida -
Sim, tu mesmo:
Santo Espírito – Eterna Vida.

És tu o raio
Que estala
Do trono do Juiz
E irrompe na noite da alma,
Que nunca se reconhece e si mesma.

Misericordioso – inexorável,
Penetra-lhe os abismos sombrios,
E ela, assustada com a visão de si mesma,

Cede-lhe confiante o lugar -
Santo temor,
Início daquela sabedoria,
Que vem das alturas
E nas alturas nos ancora fortemente – ,
Tua realidade nos cria de novo:
Santo espírito – Raio Penetrante.

És tu a canção do amor
E santo temor,
Que ecoa eternamente
Ao redor do trono de Deus,
Que une em si
O puro som de todas as criaturas?

A sintonia
Que une os membros com a cabeça,
Nela cada um
Encontra feliz
O sentido misterioso de seu ser
E flutua em júbilo,
Em tuas torrentes:
Santo Espírito – Eterno Júbilo.

És tu a plenitude,
A força do Espírito,
Pela qual o Cordeiro rompe os selos
do livro da vida
Por um eterno decreto de Deus.

Impelidos por Ti,
Os mensageiros do juízo
Galopam pelo mundo
E separam com espada afiada
O Reino do meio das trevas.

Então, tornar-se-ão novos
O céu e a terra,
E tudo aparecerá no devido lugar
Pelo teu sopro:
Santo Espírito – Força Vencedora.

Quem és tu, Luz que me inundas
E clareias o meu coração?
Tu me guias,
Qual mão carinhosa de mãe,
Se de Ti me desprendo,
Não saberia caminhar
Nem mais um passo.

Tu és o espaço,
Que cerca meu ser
E em si me acolhe.
Saindo de Ti,
Mergulho no abismo do nada,
De onde tu me tiraste.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Reconciliai-vos consigo...reconciliai-vos com Deus

Recordo-me muito do filme que vi a um tempo atrás: “Voltando a viver”. Cujo ensejo nos ajudará nessa reflexão evangélica, já que o tema abordado nele tem tudo a ver com o que refletiremos: a necessiadade de reconciliação com nossa história, com nosso passado. Este filme tem muito da riqueza humano-existencial que a igreja nos entrega neste domingo através da sagrada liturgia.

O filho mais novo cansado da casa paterna de tudo que ali vivia decide partir e conhecer outros mares, outros portos. Decide deixar sua casa seu porto seguro e peregrinar pelas estradas da vida. Experimentar o que havia para além da porta. O mundo desconhecido com seus prazeres e sabores, mas mal sabia ele que este mesmo mundo também tem seus desprazeres e dissabores.

Fico imaginando o momento do diálogo quando ele (filho) cheio de si, mergulhado na ilusão e no alto de sua soberba, pede ao pai sua herança. Segundo a tradição judaica, o filho mais novo só tinha direito a um terço da herança e mesmo assim só quando o pai estivesse morto.

Como não também imaginar o pai, ah! O pai. Escuta aquilo com o coração partido em dor. Sabe que o filho ira sofrer muito, que esse mundo não é o que ele idealiza. Sim! O ímpeto da juventude faz com que imaginemos e idealizemos um mundo que não é real, não existe. Mesmo assim, este pai sabe que o maior atributo de uma paternidade sadia é a liberdade. Não adianta querer prender, amarrar e quando não há nem mesmo indícios de abertura ao diálogo; argumentar para que não vá, por isso, pra não criar um clima adverso na partida e assim no futuro caso o filho veja que tenha que voltar, lembre-se que o pai o amou dando-lhe liberdade, respeitando sua escolha e não brigou e discutiu. Ele decide deixar o filho ir, partir sem maiores elevações de ânimos para quando quiser voltar, lembrar que há um pai solícito, acolhedor, compreensivo e sempre a esperar.

Toma meu filho, eis aqui o que tens por direito. O filho pega das mãos do pai e parte. Na hora em que pega a herança nas mãos, talvez o pai tenha pensado ao sentir o calor da mão do filho a tocar a sua: será essa a última vez que verei meu filho? Será esse nosso último toque. Os olhos passam a avistar as costas e a porta entreaberta, passos largos em direção a liberdade – devia ser o que se passava na cabeça do jovem. Talvez um sorriso cínico nos lábios, nem mesmo se quer uma última olhada para trás para dar um tchau, só mesmo o desejo de sair de casa, ficar livre das obrigações e desse ambiente enfadonho.

A porta bate e fecha-se, a batida, talvez, a mais dolorosa que aquele pai já escutou. O tilindar da fechadura travando: “meu filho se foi, Senhor, se não for pedir muito, já que não o tenho mais ante meus olhos, que tu, oh Deus! Cuide dele pra mim” - essa talvez tenha sido a oração mais repetida deste pai a partir daquele dia. A casa ficou vazia, há muito espaço sobrando nela agora. Mas a vida tem que continuar, afinal como diz Sartre: “somos seres da liberdade, condenados a escolha”. E por mais dolorosa que tenha sido para o pai, o seu filho havia feito a sua.

O que se desencadeou na vida do pródigo filho a partir daquele dia é um vasto campo. Tomemos o evangelho para de fato, conseguirmos chegar ao que a duras penas se transformou aquela vida que há tempos atrás era talvez monótona, mas tinha ao menos significado existencial.

O porco é o animal mais abominado pelo judeu o maior símbolo da impureza. E onde o filho vai parar? Tratando de porcos, ele está no meio de animais impuros pra poder descobrir o mundo interior em que se transformou. Tratar dos porcos tem duplo sentido: ele estava alimentando seu sub-mundo de sujeira com mais sujeiras, tendo outras atitudes, talvez, até piores. Recordo-me agora de Blaise Pascal: “o tamanho do vazio que fica na alma do homem quando se afasta de Deus é proporcional a Seu próprio tamanho”. Diz também o salmista: “um abismo atrai outro abismo”. Quão grande o abismo em que este jovem mergulhou e que vazio ficou em sua alma. Sendo assim, para tentar aliviar-se um pouco, pratica coisas ainda piores, sendo tentativa infortuitas de paz. Não é assim na maioria das vezes que fazemos e pensamos, “já que estou no pecado! Vou pecar mais, pelo menos assim alivio o sofrimento”

O segundo aspecto de tratar dos porcos, e esse sem dúvida alguma foi o processo vivido pelo pródigo jovem, é o de ao lidar com aqueles animais, e vendo-se nessa situação, faz uma auto-analise e se vê nas mesmas condições que eles. Sente a necessidade de “tratar de si” ou “se cuidar”.

O versículo 17 começa com um insight ou uma luz do Espírito Santo: “Então caiu em si (...)” essa é a condição sine qua non para iniciar todo um processo de cura seja em que área for ou de retomada de nossas vidas, isto é, tomar consciência de si, do que tem vivido. Recordar o tempo de outrora de felicidade de quem era e assim retomar a sua vida, ser o dono dela novamente. Fazer o caminho de retorno, de regresso a casa paterna, aos braços do pai, ao porto seguro já que estes outros além mares navegados só foram decepção e frustração.

Mas aí se instaura o que para mim hoje é a maior dificuldade de voltar: a reconciliação consigo. Reconciliar-se consigo exige antes de tudo aceitar o que fez sem reprimir-se ou condenar-se. Sem se ver como a pior das pessoas, perdoar-se.

Não há dúvida alguma que hoje muitos não conseguem mais ser feliz, porque justamente não consegue reconciliar consigo perdoar-se pelo que fez, aceitar sua história, seu passado. Vivem se condenando, não vendo mais perdão pelo que fizeram. O maior perigo desse processo é o de justamente duvidar da misericórdia de Deus, que é cantada pelo salmista como eterna: “Daí graças ao Senhor, porque ele é bom! Eterna é a sua misericórdia!” Deus sempre nos perdoou e sempre nos perdoara, o problema é: nós nos perdoarmos.

A primeira atitude deste filho foi se perdoar, caindo em si viu o que tinha feito consigo. Viu em que se transformara, aceitou que foi ele mesmo que o colocou nessa situação, pediu perdão a si, reconciliou-se com suas escolhas, não se auto-condenou e foi em direção ao pai para também reconciliar com ele.

Na primeira leitura o Senhor diz a Josué: “hoje tirei de cima de vós o opróbrio do Egito”. O Senhor sempre nos perdoa, sempre tira de nós o opróbrio... canta o salmista: “levanta da poeira o indigente e do lixo ele retira o pobrezinho”. A questão é: e nós? Nós nos perdoamos pelo que fizemos?

Muitas pessoas carregam um fardo uma força opressora sobre si por não se perdoarem. Por não aceitarem o que fizeram. Quanto sofrimento em carregar essas experiências a vida toda! Quanta angustia de todas as vezes que se vêem só conseguirem se ver a partir do que fizeram de errado, a partir do pecado e não mais da misericórdia. Um erro na vida não significa toda uma vida errada.

Quero retomar uma outra frase de Sartre: “não importa o que fizeram de nós, o que importa, é o que vamos fazer com o que fizeram de nós”. Sim é verdade! Muitas coisas ruins fizemos, ou fizeram conosco. Muitas pessoas passaram por nós e deixaram marcas profundas e lembranças difíceis. O mesmo também fizemos a algumas pessoas. No entanto, como diz a frase de Sartre, o que mais importa é o que vamos fazer com todas essas experiências, sensações e sentimentos que trazemos. Deixar que elas nos paralisem? Que nos definam? Torná-las imperdoáveis? Deixar que enraízem a tal ponto de nunca mais conseguirmos paz, felicidade e vontade de recomeçar?

A exemplo do filho pródigo é preciso cair em si e lembrar-se da casa paterna. De como o pai te tratava, sobrepor o orgulho e voltar.

São Paulo vai nos lembrar (...) “se alguém está em Cristo, é uma nova criatura (...) tudo agora é novo”. Quando nos reconciliamos conosco ficamos em um lugar, em Cristo. Em Cristo podemos assumir essa nova criatura a qual somos chamadas, reconciliados consigo; e como o mesmo apostolo diz na segunda leitura, “(...) Em nome de Cristo, nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Cristo”.

Em nome de Cristo eu vos suplico, reconciliai-vos com o passado, aceitem o que já aconteceu convosco, não se sinta em hipótese alguma anomalias somos todos da mesma espécie, seres humanos. Suscetíveis aos mesmos erros, pecados, fraquezas e quedas.

Quero terminar com a oração eucarística rezada neste domingo: “Vós, Deus de ternura e de bondade, nunca vos cansais de perdoar. Ofereceis vosso perdão a todos convidando os pecadores a entregar-se confiantes à vossa misericórdia.” Não importa o que fizemos ou poderemos fazer. Deus sempre nos perdoará! Sempre nos convidará a voltar a sua casa, sempre misericordioso. O amor e o perdão de Deus são incansáveis é preciso entregar-nos confiantes a Sua misericórdia.

Continuando: “Jamais nos rejeitastes quando quebramos a vossa aliança, mas por Jesus, vosso Filho e nosso irmão, criastes com a família humana novo laço de amizade, tão estreito e forte, que nada poderá romper.” Não existe pecado que faça essa aliança ser rompida. Por pior que sejam as nossas ações, pensamentos ou palavras não se romperá esse laço de amizade estreitado pela cruz. Foi a haste da cruz que nos uniu a Deus. Não é nossa atitude que determina a durabilidade dessa aliança, mas a de Cristo. Como sua “ATITUDE” é eterna (morrer na cruz por nós) a aliança também o é. Não há um pecado se quer que venha nos tornar rejeitados por Deus. Somos nós que nos rejeitamos e condenamos. Somos nós que ficamos inimigos de nós mesmo, ao não nos perdoarmos pelo que fizemos. Já dizia santa Teresinha: “tenho medo apenas de mim mesma, porque sei do que sou capaz de fazer sem a graça de Deus”. Sim! Nós somos nossos inimigos, não Deus. A inimizade o muro de separação, foi quebrado pelo sacrifício de Cristo na cruz.

“Concedeis agora a vosso povo tempo de graça e reconciliação. Daí, pois, em Cristo novo alento à vossa igreja, para que se volte para vós”. É o que vos pedidos, Cristo Jesus, em união com toda a igreja e com todos os altares onde o santo sacrifício da cruz foi celebrado nesse final de semana. Amém!!!

Textos da liturgia do 4º domingo da quaresma: Js 5, 9ª.10-12; 2 Cor 5, 17-21; Lc 15, 1-3.11-32.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Deus existe e está no meio de nós

O que existe se manifesta, deseja ser encontrado

A última festa que celebramos, na liturgia de domingo, é rica em significados e ensinamentos. Um deles é a maravilha do desejo de Deus de não só existir, mas também que saibamos de sua existência. Nem tão pouco apenas se manifestar, Deus deseja que o encontremos. Tudo que existe, enquanto fenômeno, se manifesta a nós. O que se manifesta a nós, assim o faz por uma razão nobre, ser encontrado.

O menino Jesus já havia nascido, estava lá na gruta com a Virgem Maria e José. No entanto, só sabiam da existência dele os pastores e alguns mais, através de profecias. Enquanto fenômeno, ou revelação, a epifania a todos os povos, ainda não sucedera. Não, porque o encontro ainda não aconteceu.

Os magos saíram do Oriente apoiados no conhecimento que tinham de astrologia e caminharam em direção ao que buscavam, sob a orientação de uma estrela. Para que esse encontro entre magos e o Menino acontecesse, era preciso que aqueles partissem. O Menino já havia nascido, estava lá, inocente, com sua mãe e com seu pai. Faltava o ato de ir em direção a Ele.

Assim aconteceu, ergueram-se acampamentos e a travessia foi feita. Ao final do trajeto, lá estavam os magos, José, Maria e a razão de todo esse caminhar, o Deus criança. O encontro se realizou, a epifania do menino Deus aos magos. Neles, todos os povos puderam ver o Emanuel, Deus conosco, Deus no meio de nós.

Nessa travessia entre levantar e baixar acampamentos, a esperança de encontrar o que o conhecimento já havia dado por convicção aos magos, muito aconteceu. Não é fácil atravessar um deserto, muito menos, fazer travessias guiando-se por uma estrela.

Um astro luminoso que enfeita os céus com sua brancura, torna-se mais nítido com a escuridão que surge. Muitas noites escuras caíram sobre a humanidade, obscurecendo o interior de tantas pessoas, sublimando sonhos, futuros e esperanças de encontrar Deus. Nosso desafio é não nos perder na escuridão, e não deixar que a mesma nos envolva . Se olhar para o céu e avistar estrelas que clareiam o caminho nos anima, quando mais saber que o Astro dos astros, de luminosidade indescritível, de brilho inacessível aos nossos olhos, clareia o nosso interior, pois só os olhos da alma podem avistá-lo.

Que encontros você precisa fazer este ano? Que luzes precisam ser acesas em seu interior? Que travessias precisam ser realizadas?

Levante-se e ande...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A oração em línguas
a oração em línguas é o único carisma voltado para a edificação pessoal
A oração em línguas é um dom do Espírito Santo (1 Cor 12,10). São Paulo faz vária citações sobre esse carisma e sua importância para quem o põe em prática. Vemos o apóstolo delongar-se na instrução aos Coríntios sobre o uso do dom das línguas e na correção aos exageros que por vezes ocorriam; podemos perceber que esse era um dom usado com muita freqüência, um dom muito comum para eles e assim o foi, nos primórdios, para a Igreja.
Contudo, durante muito tempo esse dom ficou esquecido e ate parecia ter desaparecido do seio da Igreja, mas novamente essa forma de oração tem ganhado expressão e é cada vez mais comum a sua prática em meio a Renovação Carismática.
Quantas vezes nos vemos perdidos, sem saber como rezar? Faltam-nos as palavras. Outras vezes começamos a louvar a Deus e não somos capazes de permanecer sequer cinco minutos em Seu louvor. Outras, ainda, sentimos o coração quase sair do peito de tanta vontade de falar com o Senhor, mas toda palavra que nos chega á boca parece ser insuficiente.
É bom saber que não estamos sozinhos, o Espírito mesmo vem em auxilio à nossa fraqueza.
Porque não sabemos o que devemos pedir nem orar como convém, Ele mesmo se dispõe a orar em nós. Trata-se do próprio Deus, que habita em nossos corações, templos Seus, a orar em nós. Diz a Sagrada Escritura que Ele o faz com gemidos inefáveis, se maneira que a inteligência humana é incapaz de entender.
São gemidos, sílabas que se combinam de maneira inteligível, mas de grande significância. É Deus que, sendo Pai e conhecendo o nosso coração, quer nos levar a uma oração profunda.
Aquele que ora em línguas não diz coisas que a inteligência humana seja capaz de compreender; a sua oração brota do seu coração, do seu espírito, rumo ao coração de Deus; ninguém o compreende, nem mesmo ele próprio, porque diz coisas misteriosas sob a ação do Espírito Santo. Há aqui um obstáculo para as pessoas que racionalizam tudo em demasia. Essa oração é uma humilhação para a inteligência... Quantas pessoas ao orar em línguas perguntam a si mesmas se não estão fazendo papel de estúpidas, até mesmo se sentem ridículas por consentir em iniciar tal forma de oração. Contraditório seria entendê-la quando a Sagrada Escritura diz que não é possível fazê-lo.
Há muitos que dizem não querer saber de dons, que a caridade lhes basta, como se esta se contrapusesse aos carismas e vice-versa. O Espírito Santo nos ensina: “Empenhai-vos em procurar a caridade. Aspirai igualmente os dons espirituais...” Devemos aspirar à caridade na mesma intensidade, da mesma forma e profundidade que os dons espirituais ( que acabam por ser uma operação da própria caridade).
Felizes são aqueles que se ariscam e se aventuram, mesmo quando os sentimentos contrariam a intenção de se lançar nessa maravilhosa experiência, já que aquele que assim reza edifica-se a si mesmo. Todos os outros carismas são para as outras pessoas; a oração em línguas é o único carisma voltado para a edificação pessoal. Convém não desperdiçar. Extraido do livro: "Quando só Deus é a resposta"